segunda-feira, 9 de novembro de 2009

TESTA DE FERRO DARÁ LEGITIMIDADE AS ELEIÇÕES HONDURENHAS

segunda-feira, 9 de novembro de 2009, 09:48 | Online


'Testa-de-ferro' substituirá Micheletti nesta semana, diz Zelaya

Candidato independente retira candidatura presidencial; organização pró-deposto pede boicote ao pleito

estadao.com.br

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TEGUCIGALPA - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, assegurou no domingo, 8, que o governo de facto pretender substituir nesta semana o presidente, Roberto Micheletti, por um "testa-de-ferro" que dê legitimidade às eleições do dia 29 de novembro. A renúncia de um candidato independente e a decisão de um movimento popular em favor do líder deposto de boicotar o pleito elevam ainda mais a desconfiança sobre a realização da votação.

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"Quero denunciar que querem apresentar a renúncia de Micheletti e colocar outro testa-de-ferro lá, para enganar a população mundial dizendo que sai o senhor Micheletti, que põem outro testa-de-ferro para que faça as eleições", disse em declarações à Radio Globo. Zelaya, que permanece na embaixada brasileira em Tegucigalpa desde setembro, afirmou que a mudança será feita ainda nesta semana

O candidato independente à presidência, o esquerdista Carlos Reyes, anunciou no domingo a retirada de sua candidatura ao considerar que participar da disputa equivaleria a "legitimar" o golpe contra Zelaya. Reyes, que aparecia como o terceiro na preferência do eleitorado, diz que as condições no país após o golpe não permitem eleições livres.

Mas o embaixador dos EUA em Honduras, Hugo Llorens, disse que rejeitar as eleições seria "um erro histórico". A declaração é mais um sinal de que a Casa Branca poderá reconhecer o próximo governo hondurenho mesmo que Zelaya não seja restituído. "Não se pode negar ao povo esse direito (de votar). Isso seria um erro histórico", afirmou. Outros candidatos à presidência, como o deputado César Ham, do partido Unificação Democrática (UD, de esquerda), também cogitaram abandonar a disputa.

O movimento popular hondurenho que exige nas ruas a restituição de Zelaya pediu neste domingo a seus seguidores para não participarem das eleições mesmo que ele seja restituído, pois seria muito tarde para evitar uma suposta fraude. "Tomamos um acordo em nível nacional (de) não participar do processo eleitoral com restituição ou sem restituição do presidente Zelaya. Não vamos às eleições", anunciou ao finalizar uma assembleia Juan Barahona, um dos coordenadores da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado.

Micheletti afirmou no fim de semana que está disposto a "respeitar letra por letra, ponto por ponto" do acordo de San José, assinado no último dia 30 com o objetivo de colocar fim à crise política do país. Por meio de um comunicado, Micheletti ressaltou que firmou o documento com "boa fé, confiando chegar à reconciliação nacional e ao fortalecimento da democracia em Honduras".

O presidente também comentou o fato de Zelaya ter declarado, na última sexta-feira, que o acordo "fracassou", após os atuais dirigentes hondurenhos montarem um governo de unidade sem integrantes do antigo regime. O presidente de facto se defendeu dizendo que Zelaya não indicou o nome de seus ministros dentro do prazo para a apresentação do novo governo, cujo limite era meia-noite do último dia 6 (o equivalente às 4h do dia 7, no horário de Brasília. "O processo que agora se desenvolve é liderado pela Comissão de Verificação, não para renegociar o acordo, como alguns pretendem fazer, mas para fazer valer o cumprimento do mesmo", destacou Micheletti, no comunicado.

"Espera-se que os membros desta alta Comissão de Verificação não tomem partido de nenhuma parte, nem ofereçam declarações que tendam a complicar mais os desencontros e, muito menos, fazer com que uma das partes se retire unilateralmente do acordo", ratificou.

O acordo de San José, proposto pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política, Oscar Arias, foi assinado por representantes do governo de facto e do presidente destituído de Honduras, Manuel Zelaya, com mediação de delegações dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA). O texto prevê a formação de um governo de unidade e determina que a restituição de Zelaya - principal motivo de desacordo entre o governo de facto e o deposto - seja decidida pelo Congresso Nacional, com uma prévia análise da Suprema Corte de Justiça.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

FRACASSA O PENULTIMO DOS ÚLTIMOS DOS ULTIMATOS DE MANUEL ZELAYA - MICHELETTI SE MANTEM PRESIDENTE

Tegucigalpa - O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou hoje a formação de um "Governo de Unidade e Reconciliação", ainda que este não conte com qualquer representante do presidente deposto Manuel Zelaya.

"Me orgulha esta noite anunciar que finalizamos a formação do Governo de Unidade e Reconciliação dentro do limite estabelecido dentro do cronograma do Acordo Tegucigalpa-San José", ressaltou Micheletti em uma transmissão pela televisão e rádio a todo o país.

Segundo Micheletti, a formação do Governo de Unidade "é representativa do amplo espectro ideológico e político" de Honduras e "cumprindo estritamente com o que diz o acordo", que em nenhum ponto estabelece que seja o presidente de facto que nomeie o Gabinete de Unidade.

Reconheceu que o Governo nomeado não conta com nenhum representante de Zelaya, que não mandou nenhuma proposta, dado que exigiu estar à cabeça deste Gabinete, enquanto a Comissão de Verificação do acordo ainda não se pronunciou sobre a validade deste Executivo.

O governante de facto apareceu rodeado dos membros do novo Gabinete, entre os que figuram alguns dos ministros nomeados após o golpe de Estado contra Zelaya, em 28 de junho, embora não apresentasse por nome ou cargo, a nenhum dos membros do autodenominado Governo de Unidade.

Segundo Micheletti, este Executivo "gozou da mais ampla participação e aprovação dos diferentes setores da sociedade civil e os partidos políticos".

Recalcou que "o acordo exige que este novo Governo seja instalado o mais tardar no dia de hoje" e que o apresentado hoje "está comprometido com seguir ao pé da letra as exigências e requisitos do acordo".

O presidente de facto lembrou que no começo da semana solicitou aos principais partidos políticos do país, aos candidatos presidenciais, a membros da sociedade civil e a Manuel Zelaya, "uma lista de pessoas que poderiam ocupar cargos neste novo Governo".

A exceção de Zelaya, acrescentou, os demais setores "apresentaram suas recomendações", as que considerou "cuidadosamente para selecionar aos hondurenhos e hondurenhas que liderarão as instituições" do país como parte do novo Governo.

Disse que apesar de Zelaya não ter enviado a lista, mantêm "aberta a vontade para que outros hondurenhos possam integrar o Governo".

Antes do comparecimento de Micheletti, o ministro da Presidência de facto, Rafael Pineda, disse que esperavam receber as propostas do presidente deposto "antes da meia-noite de quinta-feira (04h de hoje de Brasília)", acrescentando que "se não, igual podemos esperar um tempo mais".

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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O ULTIMO DOS ULTIMOS ULTIMATOS DE MANUEL ZELAYA

Chávez diz que Zelaya voltará 'nas próximas horas'

Anúncio foi feito na noite de sexta-feira em ato público em Caracas.

Da BBC

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na noite desta sexta-feira, ter informações de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, regressará ao poder "nas próximas horas".


"Nos chegou informação de que Zelaya regressará ao poder nas próximas horas", disse.


Chávez admitiu não conhecer detalhes do acordo que foi firmado nesta sexta-feira com o governo interino e o líder deposto, mas ressaltou que "independentemente" dos alcances da negociação, dos resultados das eleições e da data em que ela ocorra, "independentemente de tudo, há uma grande vitória moral", disse Chávez em um ato público realizado em Caracas, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixar o país.


O acordo prevê que a decisão sobre o retorno do líder deposto seria do Congresso, com uma consulta prévia ao Supremo Tribunal de Justiça, para a formação de um governo de união nacional que reconheceria as eleições nacionais marcadas para 29 de novembro.


Chávez, que se tornou o principal aliado de Zelaya na América do Sul, disse não ter dúvidas que em Honduras "a vontade do povo será imposta".


"Se Zelaya restituído não puder convocar uma Assembleia Constituinte, poderíamos dizer, por enquanto (por ahora), porque a história está apenas começando", disse Chávez ao utilizar o "por ahora" - frase que o lançou na política quando fracassou uma tentativa de golpe de Estado em 1992, contra o então presidente Carlos Andrés Perez,

Lula

Mais cedo, antes de retornar ao Brasil, Lula disse "aconteceu o que deveria acontecer", em relação à crise hondurenha.


"Prevaleceu o bom senso, que é fazer um acordo, convocar eleições e Honduras voltar à normalidade. A lição que fica para nós é que ninguém mais aceita golpe militar. Todo mundo defende o fortalecimento da democracia. Espero que o acordo seja cumprido", afirmou Lula na base aérea de El Tigre, no centro-oeste da Venezuela.


O presidente deposto de Honduras elogiou nesta sexta-feira o acordo firmado com o governo interino para pôr fim à crise do país, mas ressaltou que o pacto depende ainda da aprovação do Congresso hondurenho.


"O Congresso nacional tem uma grande responsabilidade em colocar um ponto final neste conflito", afirmou por telefone à BBC.


"Se (o acordo) fracassar, o que é uma possibilidade, seria um desastre moral para todos nós que estamos lutando pela democracia."

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